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Maternidade Sem Filtro - Parte IV

Maternidade Sem Filtro - Parte IV

Na quarta e última parte do estudo Maternidade Sem Filtro da MindMiners, falaremos sobre maternidade e carreira, sobre a diferença dos papéis de homem e mulher na sociedade e os sentimentos associados à ideia de ser mãe. Também vamos abordar diversos tabus sobre maternidade que ainda não foram mencionados no estudo, como o caso das mães que se arrependem de terem tido filhos.

Na primeira parte, abordamos temas como a visão de quem não é mãe, a divisão da criação dos filhos, os desafios das mães solo, a vida social pós-gestação e o dia-a-dia de uma mãe. Se você ainda não leu, corre lá pra ver o que a gente descobriu.

A parte II do estudo focou na experiência de parto, parto humanizado, depressão pós-parto e amamentação - e os dados reforçam que ainda tem muito tabu envolvendo aspectos da maternidade que precisa ser desconstruído.

Já na terceira parte, falamos sobre consumo, marcas e publicidade. Nela, abordamos as principais fontes de informação sobre maternidade, a influência dos filhos nas decisões de compra e consumo, as marcas que as mães associam à maternidade e os estereótipos de mães na publicidade brasileira - e o que elas pensam disso tudo.

O objetivo do estudo Maternidade Sem Filtro foi entender a fundo a visão das mulheres sobre maternidade, conhecer o dia-a-dia das mães e desmistificar os diversos tabus que permeiam o tema. Para isso, entrevistamos 900 mulheres, entre mães e não mães, espalhadas por todo o Brasil, de todas as classes sociais e faixas etárias.


A dupla jornada

No estudo, comentamos sobre o termo “mothers of ambition”, uma das 100 tendências para 2019 divulgadas pela J. Walter Thompson. O conceito traduz a ideia de que os retratos reais e crus da maternidade estão rejeitando a noção reduzida de mães como cuidadoras passivas e indo em direção a uma linguagem de empoderamento que recicla a ideia ultrapassada de maternidade e carreira como escolhas opostas.

Depois de séculos (isso mesmo, séculos) de inúmeras lutas por direitos iguais, hoje as mulheres estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho - deixando de lado essa ideia de que as mulheres precisam escolher entre maternidade e carreira.

Mas a verdade é que ainda não dá pra falar de igualdade quando o assunto é a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho. Um estudo do Fórum Econômico Mundial sobre a desigualdade de gêneros mostrou que, entre as mulheres em idade ativa no Brasil, apenas 52% participam do mercado de trabalho, enquanto o índice entre homens é de 72%. Quando estão inseridas no mercado de trabalho, essas mulheres têm renda menor: a média salarial dos homens é de 2.306 reais, enquanto a das mulheres é de 1.764 reais. Ou seja, evoluímos sim, mas não tá bom: as mulheres continuam recebendo 3/4 do salário de um homem.

O podcast Mamilos falou sobre essa desigualdade entre gêneros no mercado e a relação disso com a maternidade no episódio Maternidade & Carreira. Vem ouvir:

Além de ter que lidar com desigualdade salarial, a maioria das mães que trabalha fora de casa ainda precisa realizar as atividades domésticas, levar os filhos na escola, preparar as refeições das crianças, planejar a festa de aniversário, ler histórias antes de dormir, dar banho, amamentar, levar os filhos no médico… É a tal da “jornada dupla de trabalho”, um dos maiores desafios da maternidade e que, com frequência, resulta em mulheres abandonando suas carreiras ao se tornarem mães.

Anota aí: dica de série boa

Falando em trabalho e maternidade, a série "Supermães" da Netflix acompanha a vida de quatro mães que estão voltando ao trabalho depois da licença maternidade.
O mais interessante é que a série retrata, de uma forma divertida e por vezes trágica, personagens bem diferentes encarando diversos conflitos da maternidade, cada uma do seu jeito: tem uma mãe que abriu mão do emprego para cuidar do filho, outras que sofreram com depressão pós-parto e algumas que estão apavoradas depois de se tornarem mães.
Os episódios também mostram desafios diários das mães que vivem a dupla jornada de trabalho, como a dificuldade de tirar leite sem um espaço adequado no escritório, as consultas médicas na mesma hora daquela reunião importante com um cliente, a dificuldade de encontrar tempo para tomar banho na correria do dia-a-dia... Resumindo? Assista - sendo mãe ou não, vai valer a pena.

No estudo da MindMiners, 54% das participantes afirmou ter um trabalho além da criação dos filhos, enquanto 9,7% relatou ser mãe em período integral. Já 19% delas não trabalha, mas está em busca de emprego.

Apesar das dificuldades, as mães que não querem desistir da carreira profissional garantem que é possível dar conta de tudo isso. Algumas delas afirmam até que o desafio é um impulso a mais no trabalho, e que a maternidade pode deixá-las mais produtivas e engajadas.

E se você não acredita nisso, uma pesquisa publicada pela Forbes apontou que as mulheres que são mães aumentam o seu grau de produtividade se comparado aos seus pares sem filhos. Até porque, se você parar para pensar, a maternidade faz com que as mulheres se tornem mais empáticas com o outro. E quem não quer pessoas produtivas e empáticas no time?

O problema é que, mesmo mostrando a sua força e capacidade de encarar mais um desafio dentre tantos outros, machismo e preconceito dentro do ambiente de trabalho não são incomuns. Para investigar as percepções das mães que trabalham fora de casa sobre carreira e maternidade, pedimos às mães participantes do estudo que compartilhassem suas opiniões sobre o tema. Olha só o que elas disseram:

  • 48% já sentiu que foi rejeitada para uma vaga de emprego por ser mãe ou estar grávida na época, e 37% já sentiu que não foi promovida pelos mesmos motivos.
  • Mais da metade concorda que é malvista no trabalho quando precisa de tempo fora para cuidar de alguma questão relacionada aos filhos.
  • 39% delas afirma já ter sentido pressão vindo do(s) meu(s) empregadores para não engravidar.
  • Sobre o local de trabalho, 53% concorda que não têm um espaço limpo e privativo para mães que precisam amamentar.
  • Apenas 33% delas concorda que o tempo de licença maternidade oferecido na empresa onde trabalham é suficiente.
  • 60% diz sentir culpa por não poder passar tanto tempo com os filhos por conta do trabalho.
Sabendo que a maioria das mães se sente diminuída e insegura ao retomar a carreira depois da gestação, foi criado o “Real Maternidade – De Volta ao Trabalho”. Este projeto, criado por Luciana Cattony, tem o objetivo de ajudar mães, pais, empresas e a sociedade em geral a enxergarem a maternidade sob uma nova perspectiva e mostrar que os aprendizados da maternidade podem ser associados também à vida profissional.

As pressões da sociedade

O que a sociedade espera de uma mãe? Será que as pessoas enxergam o papel de uma mãe como sendo diferente do papel do pai? Para entender isso, investigamos a opinião das mulheres sobre as pressões sociais que homens e mulheres enfrentam, pedindo que indicassem se concordavam ou não com algumas afirmações sobre os diferentes tipos de pressão social para cada gênero.

Em relação às pressões sociais que os homens sofrem:

  • 39% concorda que o homem sofre muita pressão para ser um pai presente. Em contrapartida, outras 38% discorda dessa afirmação, e o restante não soube dizer.
  • Mais da metade não acha que o homem sofre muita pressão para ser fisicamente atraente.
  • 61% acha que o homem é pressionado pela sociedade para ser bem sucedido no trabalho ou na carreira.
  • Para 71%, o homem sofre muita pressão para apoiar a família financeiramente.

Já sobre as pressões sociais que as mulheres sofrem:

  • 88% das mulheres concorda que a mulher sofre muita pressão para ser uma mãe presente - apenas 5% discorda disso.
  • Quase 80% disse que a mulher sofre muita pressão para ser fisicamente atraente - 8% discorda disso e 12% não soube dizer.
  • 69% concorda que é a mulher é pressionada pela sociedade para ser bem sucedida no trabalho ou na carreira, com apenas 9% de discordância.
  • 66% acredita que as mulheres também sofrem pressão para apoiar a família financeiramente - mais uma vez, apenas 9% discorda disso. Outros 24% não se posicionaram.

Ainda que os homens sejam pressionados a terem uma carreira de sucesso e a sustentarem a família, um número muito maior de mulheres enxerga mais pressão social em cima da figura da mulher, mostrando mais uma vez que ainda precisamos evoluir muito enquanto sociedade para alcançarmos igualdade de gêneros e para desconstruir efetivamente os estereótipos da mulher e do homem.

Tirinha do projeto (maravilhoso) Mãe Solo, da designer Thaiz Leão

O direito à escolha

Afinal, qual o sentido de ter um filho no mundo em que vivemos hoje? É o que questiona 64% das mulheres participantes no estudo, que concordaram que o mundo está muito caótico para se ter filhos.

A boa notícia é que 84% não acha que é obrigação de todas as mulheres terem filhos. E, para aquelas que optam por se tornarem mães, 83% concorda que essa decisão deve ser tomada pelo casal em conjunto. Afinal, maternidade é coisa séria, e todas as partes envolvidas precisam participar, de alguma forma, dessa decisão.

O problema é que, apesar da grande maioria concordar com o direito pela escolha de ter ou não ter filhos, parece que essa regra vale mais para casais. Quando o assunto é adoção, 75% declarou-se a favor da adoção de filhos por uma mãe solo, mas somente 67% disse ser a favor da adoção por um pai solo.

E por falar em adoção...

Em 2011, foi sancionada a Lei que dá direitos a casais homoafetivos a adotarem crianças e adolescentes. No mesmo ano foi reconhecida a família homoafetiva e a união estável para pessoas do mesmo sexo. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou a resolução que obriga os cartórios do Brasil a celebrar o matrimônio homoafetivo.

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção do Conselho Nacional de Justica (CNJ), existem mais de 9.300 crianças e adolescentes à espera de serem adotados no Brasil. Do outro lado, existem pais e mães em busca de aumentar a família com um filho adotivo. No meio destes, estão os casais homossexuais. Pela legislação brasileira, não há qualquer diferença no processo de adoção por casais gays. A facilidade no processo oferecida pela lei, entretanto, não reflete o que a sociedade pensa.

No estudo da MindMiners, 83% afirmou ser a favor da adoção de filhos por casais heterossexuais, enquanto apenas 61% disse ser a favor da adoção por casais homoafetivos. Outros 21% não souberam dizer se concordam ou não.

Vale lembrar que a adoção é considerada como “instituto jurídico a partir do qual uma criança ou adolescente não gerado biologicamente pelo adotante torna-se irrevogavelmente seu filho(a)” pelo art. 48 do Estatuto da Criança e Do Adolescente (ECA). Isso significa dizer que a adoção é a garantia de uma uma criança ou um adolescente tenha os direitos instituídos pela Constituição.

E se você está entre as pessoas que não apoia a adoção por casais homoafetivos, esse artigo da revista Super Interessante listou quatro mitos sobre filhos de pais gays, comprovando, com base em dados, que a sexualidade dos pais é menos determinante do que boa parte das pessoas imagina.


As duras verdades

A maioria das mães diz que o sorriso dos filhos faz tudo valer a pena. Mas há quem discorde.

"Amo meu filho, odeio ser mãe."

Essa frase famosa da youtuber Helen Ramos, autora do canal Hel Mother, conhecida na internet como a mãe que fala verdades e que desromantiza a maternidade, ganhou repercussão nas mídias e abriu espaço para outras mães compartilhem suas opiniões reais sobre a escolha, às vezes errada, pela maternidade.

Em vídeo compartilhado no seu canal, Hel problematiza essa questão e traz uma reflexão sobre a real importância de acabar com estereótipos e com as falsas imagens da mãe ideal:

“Eu amo meu filho mais do que tudo nessa vida, mas odeio ser mãe nessa nossa sociedade, essa mãe que o patriarcado impôs para nós. O machismo faz com que a maternidade seja uma coisa opressora”, diz no vídeo.

Apesar de reforçar o amor que sente pelo filho independente das dificuldades, ela fala sobre a pressão social exercida sobre mulheres que não se sentem confortáveis em exercer tal papel.

Este poderia até parecer um caso isolado de uma mãe que se arrependeu de ter filhos. Mas a realidade é outra: não são raros os relatos de mulheres que afirmam se arrepender de ter filhos ou de odiar serem mães. Cada vez mais surgem mulheres com coragem de expressar seus sentimentos e desconstruir a imagem idealizada que a sociedade tem da figura materna.

No estudo da MindMiners, pedimos a opinião das mães participantes sobre esses tabus:

  • 14% concordou com a frase "eu amo meu(s) filho(s), mas odeio ser mãe". Esse número sobe para 19% entre mães com 16 a 24 anos.
  • 24% concordou que, se pudesse voltar no tempo, não teria tido filho(s), mesmo amando-o(s) hoje.
  • 12% afirmou ver a maternidade hoje como um peso, enquanto 72% discordou dessa afirmação.
  • 19% concorda que sua vida teria tomado um rumo melhor sem seu(s) filho(s).
  • 14% delas afirmou sentir que teria crescido mais como pessoa se não tivesse tido filho(s). Já quando perguntamos sobre crescimento profissional, quase 33% afirmou sentir que teria crescido mais como profissional se não tivesse tido filho(s).

A autora do blog Odeio ser Mãe encontrou na internet um espaço de desabafo para suas angústias maternas. Por lá, reúne textos, depoimentos e notícias de mães que sofrem ou já sofreram muito com essa experiência.

No site Cientista que virou mãe,  Ana Rossato defende em seu texto "Amo meus filhos, mas odeio ser mãe" que não há espaço para mulheres e seus filhos na sociedade. A cientista social explica que o papel idealizado e socialmente aceito de mãe implica em uma anulação da personalidade própria, ação que muitas mulheres simplesmente não aceitam.

Texto "Amo meus filhos, odeio ser mãe", de Ana Rossato

"(...) Não é que eu não goste dos meus filhos. Eu não gosto de que, por ter filhos, eu precise ter meu acesso à educação comprometido por conta de instituições que não pensam em um espaço que acolha mulheres e crianças.
Amo meus filhos. Mas não gosto de ser barrada em entrevistas de emprego na hora em que respondo se tenho ou pretendo ter crianças.
Adoro meus filhos. Mas detesto esse olhar crítico que recebo quando estou em um restaurante, ou em uma loja, ou mesmo em uma exposição de arte, afinal eu deveria estar em casa, porque criança pequena “atrapalha”.
Eu adoro ver meus pequenos dormirem. Mas realmente odeio a carga de trabalho que eu e meu companheiro precisamos ter para vivermos minimamente bem.
Adoro nosso tempo em família. Mas detesto a péssima mobilidade urbana que não pensa nas crianças, sendo impossível sair de carrinho em muitas e muitas cidades, ou mesmo pegar um ônibus com segurança e, com isso, impede mulheres e crianças de ocuparem os espaços públicos. (...)"

Os dados do estudo e os relatos das mães reforçam que muitas mulheres se sentem limitadas aos estereótipos impostos pela sociedade, e que ainda não existe uma consciência compartilhada por homens e mulheres de que a responsabilidade por um filho não é somente da mãe, mas também do pai, da sociedade, do Estado e das políticas públicas de governo.


"Padecer no paraíso"

Sim. O lado negativo da maternidade ainda é tabu - há muito espaço para evoluir nesse sentido. Mas as mulheres estão cada vez mais dispostas a falar sobre o lado b da maternidade.

Para entender os sentimentos relacionados ao ato de ter filhos, perguntamos às mulheres participantes do estudo quais os sentimentos negativos que associam à maternidade.

Principais sentimentos negativos associados à maternidade

Vale ressaltar que 9% afirmou não ter sentimentos negativos em relação a maternidade.

Insegurança, medo e ansiedade. Três sentimentos que retratam bem os inúmeros desafios que a maternidade traz. E tudo bem. É normal ter sentimentos negativos ligados a ideia de ter filhos: a maternidade pode ser difícil para muitas mulheres porque joga luz sobre pressões sociais na figura feminina, afeta física e emocionalmente uma mulher e envolve muita responsabilidade - afinal, filho é para sempre. Estranho seria enfrentar tudo isso sem sentir, em algum momento, algum desses sentimentos.

Mas ter sentimentos negativos em relação à maternidade não elimina a possibilidade de vivenciar, também, sentimentos positivos. É o que reforça a famosa frase: "ser mãe é padecer no paraíso". Prova disso é que, no estudo da MindMiners, quase 90% das mulheres associa o sentimento "amor" à maternidade. "Felicidade" aparece em segundo lugar, para 76% das participantes. Baita combo. <3

Principais sentimentos positivos associados à maternidade

Apenas 1% afirmou não ter sentimentos positivos.


Posso te dar um conselho de mãe?

No estudo Maternidade sem Filtro da MindMiners, falamos sobre a escolha de ter ou não ter filhos, dos desafios de ser mãe solo e do dia-a-dia corrido das mães, da experiência de parto, os tabus sobre amamentação e sobre a depressão pós-parto.

Também discutimos a influência dos filhos nas decisões de compra e consumo e dos estereótipos de mães que cansamos de ver na publicidade. Hoje, falamos ainda sobre maternidade e carreira, discutimos algumas percepções sobre maternidade, adoção e cuidado com filhos, e refletimos sobre os relatos de mulheres que odeiam ser mães e de mães que se arrependem de ter tido filhos.

Depois de tantos assuntos discutidos a partir da visão das mulheres que participaram do estudo, quais os conselhos finais que essas mães dariam para as futuras mães? Compartilhamos aqui alguns dos nossos preferidos. Spoiler alert: vai ser difícil não se emocionar.

"É difícil, é complicado, muitas vezes a gente se sente triste, mas é amor, é felicidade, é a razão da nossa vida! Tudo muda ao ver o sorriso do nosso filho."

"Não será fácil, mas valerá a pena. Ver o olhar de amor dos pequenos, o carinho, chamar de mamãe pela primeira vez, não tem preço."

"Cada dia uma lição, um aprendizado, ninguém nasce sendo mãe."

"Filho é pra vida toda, sempre esteja ao seu lado quando ele precisar. Ensine o certo e errado e ensine a respeitar o próximo e as diferenças."

"Apenas faça o que tiver ao seu alcance e você será a melhor mãe do mundo, pois respeitará seu tempo, seu ritmo, suas limitações. Somos seres humanos e não somos perfeitos, estamos em fase de aprendizado (a vida) e não se culpe, embora seja difícil. Apenas seja você mesma e tudo ficará bem!"

"Aproveite cada segundo da gestação e da maternidade. O tempo voa."

"Ser mãe não é um peso, ser mãe é apenas mais uma coisa que você vai ser e não a ÚNICA coisa que você vai ser."

"É a melhor experiência a se viver, mas não pense que você é uma super mulher e que tem que dar conta de tudo sozinha."

"Deixe o amor falar mais alto e seus instintos te guiarão. Ainda que você venha a errar será na intenção de acertar."

"Não acredite se alguém falar que é maravilhoso e tudo é lindo, pois não é. O parto é terrível, amamentação é complicada no início, criar e educar uma criança é muito desgastante. Em contraponto, ao ouvir um "mamãe " de um ser que saiu de você, é maravilhoso e gratificante. A trajetória é conturbada, mas o resultado é gratificante."

E o prêmio do melhor conselho vai para...

"Ame, ame e ame... somos capazes de conseguir tudo com isso. Mas o mais importante, saiba respeitar o espaço de seus filhos em cada época da vida deles, não se esqueça que você já passou por muita coisa que eles passam. Sofra por eles mas não impeça o sofrimento deles, isso faz com que eles amadureçam e aproveite cada minuto que eles querem estar com vocês, são momentos únicos e momentos que acabam rápido, logo eles já terão a vida formada.
Apesar do trabalho árduo, não esqueça de cuidar de si mesma, pois um dia os filhos crescem e a sua vida continua.

Não seja forte só porque falam que você precisa ser forte, não tenha vergonha de pedir ajuda e nem de assumir se precisar de um tempo, ser mãe não faz com que deixemos de ser humanas. Nossos filhos não são pesos, eles nos transformam em pessoas melhores, basta saber aproveitar os ensinamentos. E entenda que ser mãe não é padecer no paraíso como muitas falam, ser mãe é estar no paraíso sim, mas não estar isenta de dores e sofrimentos, mas acredite, por nossos filhos tudo isso vale a pena.

Acredite que você pode ser a melhor mãe do mundo sem precisar ser perfeita e que o dia em que você se sentir feia, tente se olhar pelos olhos dele que você passará a ser a mulher mais linda do mundo.

Aproveite todo o amor que ele puder te dar e saiba que é sim um amor merecido. Agora que sabe da parte sentimental e importante, sempre busque o que for mais saudável, mas saiba que sair da linha de vez em quando pode fazer bem pra saúde mental e para a conexão de vocês. Parabéns para todas as novas mamães. Aproveitem o máximo que puderem."

Essa é a última parte do estudo Maternidade Sem Filtro da MindMiners. Esperamos que tenha gostado do estudo e que, de alguma forma, as mães ganhem cada vez mais espaço para compartilhar desafios, dificuldades, angústias e experiências reais da maternidade sem que sejam julgadas por isso.

Quer saber mais?

Para ter acesso a todos os dados da pesquisa, com a possibilidade de filtrar as respostas a partir de targets específicos, preencha o formulário abaixo:

Trecho do livro Maternidade, de Sheila Heti

“Recentemente, descobri que a lagarta não cria asas e se transforma em borboleta dentro do casulo. Na verdade, a lagarta se transforma em uma papa. Ela se desintegra e, dessa papa, nasce uma nova criatura. Por que ninguém fala sobre a papa? Ou sobre como, para que qualquer mudança ocorra, precisamos ser nada por um tempo - precisamos ser papa.”

Amostra da pesquisa:

Thaís Camargo

Thaís Camargo

Thaís é Gerente de Marketing de Produto na MindMiners. Com formação em Psicologia e em Marketing, é apaixonada por marcas, produtos e tecnologias que ajudam as pessoas a resolverem seus problemas.

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