As canetas emagrecedoras deixaram de ocupar apenas o território da saúde. O avanço dos medicamentos GLP-1 transformou o tema em uma discussão sobre corpo, estética, alimentação, rotina e até escolhas de consumo. No Brasil, esse movimento ganhou escala e passou a fazer parte do repertório cultural e digital dos consumidores.
O mercado também acompanha essa transformação. Segundo o estudo autoral da MindMiners, o consumo do medicamento cresceu cerca de 240% no Brasil, movimentando aproximadamente R$ 14,6 bilhões. Em 2026, o uso já alcança 5,5% da população, acima da média global de 3,7%.
Para quem trabalha com Insights, o ponto mais interessante não está apenas no crescimento da categoria, mas no que acontece ao seu redor. Afinal, quando o consumidor muda sua relação com o próprio corpo, outras escolhas também podem mudar. É essa transformação no comportamento que começa a redesenhar diferentes territórios de consumo.
GLP-1: não é apenas um tema de saúde
A evolução das conversas digitais mostra como o significado das “canetinhas” foi se ampliando. O debate começou mais concentrado em ciência, estudos clínicos, aprovação regulatória e eficácia. Com o tempo, porém, o assunto migrou para redes sociais e passou a envolver celebridades, estética, memes, rotina e comportamento.
Isso cria um novo desafio para as marcas: Compreender o fenômeno exige olhar além da categoria de medicamentos, acompanhando as mudanças de comportamento que surgem ao seu redor.
O efeito cascata das canetas emagrecedoras na rotina
Um dos principais impactos das canetas emagrecedoras aparece na forma como as pessoas reorganizam sua alimentação. Entre usuários e ex-usuários, há aumento no consumo de água, frutas, legumes e verduras, carnes brancas, produtos proteicos e snacks saudáveis, enquanto alimentos como doces, carboidratos, produtos ricos em gordura e fast-food apresentam tendência de redução.
Essa mudança também ultrapassa a alimentação. Cerca de 1 em cada 3 usuários afirma ter se tornado um consumidor mais planejado e menos impulsivo. O estudo também identifica maior atenção à qualidade e novas prioridades no orçamento, incluindo categorias como atividade física, suplementos, saúde e beleza.
O comportamento aparece ainda em escolhas relacionadas à identidade. 67% dos usuários e ex-usuários dizem ter autoconfiança para escolher roupas de acordo com seu gosto, enquanto 43% afirmam comprar roupas mais por estilo ou estética do que por necessidade, contra 25% entre quem nunca usou o medicamento.
O medicamento também mudou as ocasiões de consumo
A influência das canetas emagrecedoras ultrapassa a alimentação e chega aos hábitos sociais. Entre usuários e ex-usuários, 49% reduziram o consumo de coquetéis e drinks, 44% de bebidas alcoólicas destiladas e 40% de cerveja nos últimos seis meses.
Essa mudança também aparece nos espaços de socialização. 37% passaram a frequentar menos bares e 35% reduziram a frequência em restaurantes, churrascarias e casas noturnas. O movimento chama atenção porque mostra que a transformação no comportamento pode alterar não apenas o que o consumidor compra, mas também onde, quando e em quais ocasiões ele consome.
Da mudança de corpo à mudança de consumo
As “canetinhas” são apenas o ponto de partida de uma transformação mais ampla. Os dados mostram um consumidor que está reorganizando hábitos, prioridades e escolhas a partir de uma nova relação com o próprio corpo.
Para quem trabalha com comportamento e Insights, entender esse movimento significa olhar para além do produto e acompanhar o que acontece antes, durante e depois da decisão de consumo.
Quer aprofundar essa análise? O Estudo Original “Beleza e consumo na era das canetas emagrecedoras”, da MindMiners, reúne dados quantitativos e Social Listening, em parceria com a Polis Consulting, para mostrar como esse fenômeno está impactando comportamento, consumo, cultura e diferentes categorias.
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