Saiu na mídia: 44% dos trabalhadores vão usar o dinheiro do FGTS para pagar dívidas

Pesquisa inédita revela que o impacto econômico da medida deve aparecer à longo prazo

O Governo anunciou que a partir de janeiro desse ano, trabalhadores poderão sacar o dinheiro do FGTS de contas que ficaram inativas até 31 de dezembro de 2015. A medida tem como objetivo reaquecer a economia do país, com potencial de injetar mais de 30 bilhões no mercado.

Para entender melhor qual vai ser o resultado dessa medida político-econômica, a MindMiners realizou uma pesquisa entre 20/03/2017 e 23/03/2017, com 1674 pessoas, entre 18 e 65 anos, de acordo com a representatividade populacional, em todo o Brasil, que foi divulgada pelo Valor Econômico no dia 31/03/2017.

 

A pesquisa mostrou que o motivo pelo qual a medida foi tomada não ficou claro para a população. 98% dos respondentes sabia que o Governo liberou o saque das contas inativas, mas uma parcela significante (42%) das pessoas disseram não saber porque isso foi feito.  Entre as respostas dos entrevistados que disseram saber o motivo por trás da manobra, as expressões mais frequentes foram “economia”, “dinheiro” e “país”.

Por qual motivo o Governo tomou essa medida?

A pesquisa também mostra que uma parcela menor da população vai gastar esse dinheiro em comparação com quem vai poupar o dinheiro ou usar para pagar dívidas, o que sugere que o impacto da medida só vai ser visto de médio à longo prazo.

O estudo mostra que a maioria das pessoas tem uma quantia pequena no FGTS, (57% tem menos de um salário mínimo), o que pode justificar o número baixo de pessoas que vão usar o dinheiro para comprar bens como eletrodomésticos (5%), automóveis ou motoclicletas (3%), eletrônicos (6%) ou imóveis (3%).

A pesquisa mostrou que a a maioria da população (64%) aprovou a medida tomada pelo Governo, apesar de não ter uma opinião favorável ao Governo de Michel Temer de forma geral. Somente 13% dos entrevistados tem uma visão positiva do Governo atual.

De acordo com o Governo, são mais de 43 bilhões de reais nas contas inativas de FGTS. Desse montante, estima-se que 34 bilhões será sacado pela população trabalhadora. De forma geral, a população vai usar o FGTS para pagamento de dívidas ou vai poupar o dinheiro, o que reflete a crise econômica que o país vive hoje. Quando comparamos os gastos por classe social, as classes mais altas vão poupar mais do que as classes mais baixas, e entre as pessoas que vão gastar o dinheiro, a classe A vai comprar bens mais caros como eletrônicos enquanto as classes C/DE vão comprar bens mais básicos, como alimentos.

O Governo estima que 9 bilhões de reais que estão parados em contas inativas não vão ser sacados pelos trabalhadores. Entre os motivos para não sacar o dinheiro, 38% das pessoas diz que é porque tem muito pouco dinheiro na conta, 8% disse que é porque não tem tempo para ir ao banco sacar, e 8% disse que é porque a fila nas agências é muito grande.

O saque das contas inativas do FGTS pode acontecer até o dia 31 de julho e as pessoas que não conseguirem fazer as retiradas até o prazo limite não conseguirão fazer o saque em outra data. Portanto, o impacto da medida será melhor compreendido de médio à longo prazo, evidenciando se a injeção de recursos irá de fato aquecer a economia, como espera o Governo Federal.

 

  

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